Só leio, só amo, só vivo cada palavra.

Quem nunca pegou um livro e a cada página, cada frase, cada palavra, sentia que o livro não tinha sido escrito para você, mas sobre você? E quis, quando terminou de ler, que sua história também terminasse como aquela?
Ultimamente não tenho tido tanto tempo de ler, e não me orgulho disso. Os livros são meu escape, são a forma que eu encontrei de fugir da minha realidade e viver várias vidas diferentes. Cada hora, dia, semana e até mês que eu passo sem ler, eu vou morrendo um pouquinho por dentro, vou me afastando do meu mundinho perfeito e vivendo cada vez no mundo real, mundo esse que perdi o controle quando me entreguei aos livros, mundo esse que já não é mais como eu queria que fosse.
Esse novo mundo, chamado mundo real, foi esculpido pelas minhas escolhas, e para meu futuro, mas enquanto estive mergulhada em letras escritas em grossos mundos paralelos de quatrocentas páginas, deixei que minhas escolhas fossem influenciadas, não por pessoas, mas pela facilidade, escolhi o que não me tomaria tempo, o que ainda me permitiria ficar com as minhas outras vidas da prateleira, e acabei me encurralando, me deixando sem opções, e agora, sem tempo.
A cada dia que passa, perco um pouco mais da magia, e tenho medo, que um dia a magia me deixe por completo. Os sonhos parecem cada vez mais difíceis de se tornar realidade, a vida parece cada vez mais complicada, como se estivesse em um caminho sem bifurcações na estrada, não posso voltar, nem escolher outro caminho, apenas seguir em frente, nesse caminho onde os buracos só aumentam, esperando chegar em um buraco tão grande, que não me reste nada a fazer se não pegar a caneta e escrever a tão temida palavra. Fim.
Mas se a algo que aprendi nas minhas vidas da prateleira, é que o final feliz só existe porque o escritor não desistiu no meio da história, o personagem principal só consegue tudo aquilo que ele precisa pra ser feliz não porque foi predestinado pelo autor da história, mas por que, mesmo com todos os obstáculos colocados a cada capitulo, ele sempre encontrava alguma forma de seguir em frente, e é isso que eu pretendo, seguir em frente, continuar lutando.
Viver não é fácil, se fosse seria chato e não uma aventura, e como disse Benjamin Franklin: “Ou escreva algo que vale a pena ser lido, ou faça algo que vale ser escrito.” A vida não é como os contos de fada, mas se não fosse a vida para inspira-los, eles não existiriam. Então por mais que não me sobre tempo para fechar os olhos, continuarei lendo, e vivendo, agora também nas minhas escritas, que antes eram pra mim, agora são de qualquer um que queira ler e viver nesse meu universo de palavras.

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